Em coletiva realizada na sede da Federação Paulista de Futebol (FPF), o técnico Abel Ferreira trouxe uma reflexão contundente sobre a instabilidade da carreira de treinador no Brasil. O gatilho foi a recente demissão de Filipe Luís do Flamengo, decidida de forma unilateral pela diretoria rubro-negra. Mesmo após golear o Madureira por 8 a 0 e acumular cinco títulos em pouco mais de um ano, o ex-lateral não resistiu à pressão interna após o vice-campeonato na Recopa Sul-Americana. Abel atribuiu sua própria longevidade no Palmeiras ao “gabarito” da presidência, criticando abertamente a visão de dirigentes que tratam o futebol como uma ciência exata de resultados imediatos, ignorando processos e a inerente incerteza do esporte.
A saída de Filipe Luís expõe uma “miopia de resultados” que ignora o aproveitamento histórico do treinador. Com 63% de vitórias e cinco taças em pouco mais de um ano, o ex-lateral atingiu números que o colocam no panteão rubro-negro ao lado de Jorge Jesus. No entanto, a goleada de 8 a 0 sobre o Madureira foi tratada como uma obrigação, enquanto a derrota na Recopa funcionou como o gatilho para uma fritura interna já em curso. Esse cenário reforça a tese de Abel: no Brasil, o processo técnico é frequentemente atropelado pelo humor político das arquibancadas e das redes sociais.
Essa instabilidade crônica não apenas interrompe projetos vitoriosos, mas também afasta novos talentos da beira do gramado. Ao ver um profissional com o currículo recente de Filipe Luís ser dispensado sob circunstâncias tão atípicas, o mercado envia um sinal de alerta para ex-jogadores que buscam a transição para a área técnica. Enquanto o Palmeiras de Abel Ferreira colhe os frutos de uma blindagem institucional que já dura anos, o restante do futebol brasileiro parece condenado a um ciclo de recomeços infinitos, onde o sucesso de ontem raramente garante o emprego de amanhã.
Filipe Luís deixa o cargo após 101 jogos, com um retrospecto de 63 vitórias, 23 empates e apenas 15 derrotas. Em sua curta e vitoriosa passagem, ele ergueu os troféus da Copa do Brasil 2024, Supercopa 2025, Carioca 2025, Libertadores 2025 e Brasileirão 2025, tornando-se o segundo técnico mais vitorioso da história do clube, ao lado de Jorge Jesus e Flávio Costa.














