A máxima tantas vezes repetida — “Cazuza está vivo” — ganha novos contornos em 2025, com a inauguração da exposição “Cazuza – Exagerado”, no Rio de Janeiro, e com a aguardada estreia do documentário “Cazuza – Boas Novas”, dirigido por Nilo Romero, marcada para 17 de julho. E agora, mais uma boa nova reforça essa permanência: o cantor e compositor será o grande homenageado da 33ª edição do Prêmio da Música Brasileira, prevista para 2026.
A celebração sucede a homenagem à dupla Chitãozinho & Xororó, e marca o retorno do PMB ao universo do pop rock nacional, reconhecendo o impacto e a singularidade da obra de Agenor de Miranda Araújo Neto (1958–1990), revelado como vocalista do Barão Vermelho em 1982.
Criado em meio à nata da MPB — filho de João Araújo, executivo da Som Livre — Cazuza soube transitar entre o rock visceral, o samba-canção de Lupicínio Rodrigues e a fossa intensa de Maysa. Era exagerado, sim, mas com propósito e poesia. Em versos como “O banheiro é a igreja de todos os bêbados”, do blues Down em Mim, revelou a modernidade com que atualizou as dores de amor e os excessos existenciais, sempre com alma rebelde e lírica afiada.
Cazuza viveu como um beatnik tropical no Baixo Leblon, sedento por intensidade e liberdade. Pecou pelos excessos, jamais pela omissão. Fez da vida um ato de poesia urgente, sabedor de que o tempo não para — e por isso, permanece jovem, vibrante e atual.
A homenagem no Prêmio da Música Brasileira é mais que justa: é a confirmação de que, mesmo após 36 anos de sua partida, Cazuza ainda canta e provoca, emociona e transforma. Eternamente vivo, exageradamente necessário.














