Gabriel O Pensador vive um momento simbólico de redenção no rap nacional. O artista carioca confirmou as presenças de Mano Brown e MV Bill entre os convidados da gravação do show “Acústico 33”, marcada para o dia 3 de dezembro, na Fundição Progresso, no Centro do Rio de Janeiro. A união entre esses nomes icônicos representa, de certo modo, o reconhecimento tardio da importância do Pensador dentro do rap consciente brasileiro.
Quando Gabriel surgiu em 1992 com o provocante hit “Tô Feliz (Matei o Presidente)”, o hip hop já se consolidava em São Paulo, impulsionado pelos Racionais MC’s e pela voz potente de Mano Brown, que expressava o orgulho negro e denunciava as desigualdades sociais. No Rio, o cenário também fervia — e foi de lá que, em 1993, emergiu MV Bill, cria da Cidade de Deus, com um discurso igualmente engajado.
Nesse contexto, Gabriel foi muitas vezes visto como o “playboy” que se apropriou do rap. Enquanto os Racionais seguiam independentes, ele assinava com a Sony Music, tornando-se o rapper mais midiático do país após o sucesso do álbum de estreia, que trouxe hits como “Lôraburra” e produção de DJ Memê. O sucesso comercial, porém, veio acompanhado de críticas e desconfiança, mesmo que suas letras sempre refletissem consciência social e crítica política.
Ao longo da carreira, Gabriel transitou entre o rap e o pop, colaborando com nomes como Lulu Santos e Cidade Negra — artistas também confirmados na gravação do “Acústico 33”, ao lado de Armandinho.
Hoje, três décadas depois, o reencontro com Mano Brown e MV Bill parece fechar um ciclo. Mais do que uma parceria musical, o encontro simboliza respeito mútuo e a consolidação de uma trajetória que sobreviveu ao tempo e às críticas. No tribunal das redes sociais, a simples presença desses ícones do rap já seria suficiente para absolver o Pensador — e reafirmar seu lugar na história do hip hop brasileiro.














