A posição de um artista no cartaz de um grande festival pode parecer detalhe, mas tem um peso enorme na indústria musical. Mais do que estética ou design, trata-se de status, impacto na carreira e até no valor do cachê. Empresários disputam cada linha com unhas e dentes, e festivais do mundo todo montam suas estratégias para organizar o line-up.
Por isso, a participação de Luísa Sonza no Coachella 2026 merece destaque. A cantora aparece na quarta linha do pôster oficial, em sua estreia no festival californiano. Ela levará hits como “Chico”, “Sagrado Profano” e “Penhasco” para um dos palcos mais prestigiados do planeta.
Mas como essa ordem é definida?
- O topo é reservado aos headliners, que concentram a maior parte do público.
- As linhas intermediárias ficam para artistas de médio porte, em ascensão ou já consagrados.
- As últimas fileiras abrem espaço a novos nomes e talentos locais.
Paul Tollett, criador do Coachella, já comparou a escolha a investir em ações: contrata-se o artista meses antes, mas o cenário pode mudar até o festival. Um exemplo clássico é Amy Winehouse em 2007, anunciada discretamente no pôster, mas que chegou ao evento como uma das maiores estrelas da época.
A disputa pode ser intensa. O empresário de Martin Garrix já brigou para que o DJ aparecesse no mesmo nível que DJ Snake, alegando que uma linha inferior poderia sugerir que seu cliente era “menor” que o rival — e conseguiu.
No Brasil, os festivais também lidam com essa questão. O Lollapalooza segue o modelo internacional, posicionando os artistas conforme sua popularidade. Já o Rock in Rio e o The Town evitam hierarquias explícitas, organizando os cartazes por estilos musicais para driblar comparações e egos feridos.
Para Luísa, estar na quarta linha do Coachella é um marco estratégico. O festival é uma vitrine mundial e já abriu espaço para brasileiros como Anitta, Ludmilla, Pabllo Vittar, Alok e Vintage Culture. Agora, a cantora se junta à lista, consolidando sua presença no pop internacional.
O cartaz do Coachella não é apenas design — é um reflexo do mercado musical em constante movimento. E a presença de Luísa Sonza mostra que o pop brasileiro segue ganhando terreno entre as grandes vozes globais.














