A “moda modesta” ganhou destaque a partir de 2018 e, desde então, vem conquistando espaço crescente no cenário global. Nas redes sociais como Instagram, TikTok, Facebook e Pinterest, o termo remete a uma estética marcada por saias e vestidos midi, cores neutras, pouca pele exposta e uma forte ênfase no tradicional e feminino.
Essa tendência, como explica a consultora de moda Thais Farage, está frequentemente associada a valores religiosos, especialmente no Brasil, onde é popular entre influenciadoras evangélicas. Em países como os EUA e na Europa, o estilo também é promovido por mulheres muçulmanas e judias ortodoxas. Contudo, a moda modesta transcendeu os limites religiosos e conquistou as vitrines de grifes e marcas de fast fashion, tornando-se parte do mainstream.
A ex-primeira-dama dos EUA, Melania Trump, é um exemplo de como essa estética encontra eco fora de contextos religiosos. Durante a posse presidencial de Donald Trump, seu traje foi descrito como “tradicional, comportado, mas feminino”, reforçando os elementos centrais da moda modesta. Melania se une a figuras como Kate Middleton, que há anos personifica esse estilo.
O sucesso da moda modesta está ligado a um movimento cultural mais amplo: o retorno ao conservadorismo em diversos países. Essa estética reflete uma valorização do tradicional, da elegância discreta e de um afastamento do visual sensual e exuberante. Hashtags populares como clean beauty, old money, e minimalismo dialogam diretamente com esses valores.
Embora a moda modesta rejeite a sexualização da mulher, também levanta debates sobre moralismo. “Esse estilo privilegia a discrição, mas pode impor padrões rígidos sobre o que é considerado feminino ou elegante”, comenta Farage.
No campo progressista, estilos que rejeitam a sexualização, como as roupas largas usadas pela cantora Billie Eilish no início de sua carreira, também surgem como contraponto. No entanto, diferentemente da moda modesta, esses looks permitem maior neutralidade de gênero e liberdade estética.
A popularização do estilo também se reflete em movimentos como o das tradwives, mulheres que defendem papéis tradicionais para o gênero feminino. No Brasil, a moda modesta marca uma mudança no discurso evangélico, que passou a enxergar na moda uma ferramenta de influência e empoderamento.
Embora o calor tropical pareça um desafio para o estilo, as influenciadoras dessa estética costumam adotar o lema “se piriguete não sente frio, a mulher modesta não sente calor”. Ainda assim, elementos como maximalismo, estampas vibrantes e sensualidade latina são geralmente deixados de lado, reforçando uma estética de inspiração europeia.
Mais do que uma tendência passageira, a moda modesta é o reflexo de mudanças culturais profundas. Segundo Farage, “a moda sempre reflete a sociedade. E, no caso da moda modesta, ela traduz os valores e debates que moldam o mundo contemporâneo”.














