A reprimenda pública de Maria Bethânia no palco da Farmasi Arena – motivada por problemas técnicos durante a execução de As Canções que Você Fez pra Mim – acabou se tornando a nota mais dissonante da noite. O show da turnê Caetano & Bethânia retornou ao Rio de Janeiro no sábado, 15 de março, mas foi ofuscado não só pelo incidente, como também pela repercussão que ultrapassou a novidade mais relevante do espetáculo: a apresentação de Um Baiana, música inédita de Caetano Veloso.
Embora tenha razão ao reclamar da falha técnica, Bethânia perdeu parte desse direito pela forma ríspida com que expôs os músicos – especialmente Lucas Nunes, diretor musical – e a equipe técnica. O tom autoritário da intérprete, em pleno palco, gerou um constrangimento desnecessário, contrastando com a nobreza que costuma emanar de sua presença cênica.
Nos bastidores, já é conhecido o temperamento exigente da artista, frequentemente atribuído a uma suposta falta de musicalidade que a impediria de lidar com imprevistos ao vivo. Sua intensidade no palco, marca de sua grandiosidade como intérprete, também se manifesta em momentos de tensão. O maestro Jaime Alem, que a acompanhou por anos, já testemunhou episódios semelhantes.
No entanto, naquele sábado, o cenário era outro: uma arena lotada, com um público mais amplo do que seu tradicional séquito de admiradores. Assim, o descontentamento foi amplificado, e o que poderia ter sido visto como um detalhe técnico tornou-se um episódio emblemático. Se para seus fãs mais devotos a irritação pode ser relevada, para outros, a cena ressoou como um deslize incompatível com a grandeza da artista. O brilho de Bethânia segue intacto, mas, desta vez, a imagem construída ao longo da carreira desafinou momentaneamente nos holofotes das redes sociais.














