2025 foi um ano de emoções intensas para Gilberto Gil. Na esfera pessoal, o período ficará marcado pela dor da perda da filha Preta Gil (1974–2025), falecida em 20 de julho. Trinta e cinco anos após a morte do filho Pedro Gil (1970–1990), vítima de um acidente de carro aos 20 anos, o artista voltou a enfrentar o luto pela perda de um filho.
No plano profissional, porém, o cantor, compositor e violonista baiano viveu um ano de celebração com a turnê Tempo rei. Iniciada em 15 de março, em Salvador (BA), cidade natal do artista de 83 anos, a turnê segue em circulação pelo Brasil e pela América do Sul, com apresentações previstas até março de 2026. Trata-se da última grande excursão de Gilberto Gil, destacada na concorrida temporada nacional por shows grandiosos, concebidos para arenas e estádios.
Ao longo de cerca de duas horas, impulsionado pela energia sagrada do palco, Gil demonstrou que transcende o tempo ao conduzir um roteiro centrado em sucessos compostos entre 1965 e 1985 — período que concentra a fase áurea de sua produção artística.
Além do repertório emblemático, pensado para celebrar a dimensão magistral de sua obra, a turnê Tempo rei também ganhou destaque pelas participações especiais inesperadas. Sem aviso prévio, Gil dividiu o palco com nomes como Roberto Carlos, Marisa Monte, Caetano Veloso, Chico Buarque — presença rara em shows de outros artistas — e, naturalmente, com a filha Preta Gil.
A última aparição de Preta Gil em um palco aconteceu ao lado do pai, em 26 de abril, quando interpretaram Drão (1982) — canção composta por Gil para Sandra Gadelha, mãe de Preta — durante apresentação da turnê em São Paulo (SP). Em dezembro, o projeto ganhou um capítulo especial ao ancorar em alto-mar como atração principal do cruzeiro temático Navio Tempo rei.
Entre dores e reveses da vida, Gilberto Gil ofereceu, ao longo de 2025, uma resposta luminosa ao tempo rei.
♪ Na cena dos shows brasileiros, outros grandes nomes da música popular também brilharam nos palcos. Seis meses após encerrar a turnê com Caetano Veloso, iniciada em agosto de 2024, Maria Bethânia estreou em setembro o espetáculo comemorativo de seus 60 anos de carreira, apresentando um show à altura de sua trajetória.
Majestosa e imperativa, como sempre, Bethânia encantou o público com um roteiro inteligente, livre de obviedades e sustentado por canções inéditas de Rita Lee & Roberto de Carvalho e de Xande de Pilares em parceria com Paulo César Feital. O espetáculo será gravado em janeiro, no Rio de Janeiro (RJ), para lançamento de álbum ao vivo e registro audiovisual.
Em outubro, Marisa Monte apresentou a turnê Phonica, que envolveu seus sucessos em arranjos sinfônicos sem perder o apelo pop nem cair na rigidez típica dos concertos eruditos. A turnê percorreu arenas e estádios e segue para 2026 com datas já confirmadas no Nordeste.
Sob direção de Jorge Farjalla, Vanessa da Mata destacou-se no show Todas elas, revelando notável evolução vocal, a ponto de interpretar uma ária de ópera com propriedade.
Caetano Veloso, por sua vez, criou um show vigoroso para o circuito de festivais, enquanto a Orquestra Imperial estreou um tributo elogiado a Erasmo Carlos (1941–2022). Ivan Lins celebrou seus 80 anos com um show retrospectivo; Flávio Venturini revisitou sua trajetória em Minha história; e João Bosco evocou afetos e esperanças do Brasil no espetáculo Boca cheia de frutas.
Outro fenômeno foi Dominguinho, show acústico que reuniu João Gomes, Jota.Pê e Mestrinho, arrastando multidões pelo país. Fora do circuito das grandes arenas, também mereceram destaque apresentações memoráveis, como o lançamento do álbum Arco, de Marcos Sacramento; o show Afim, de Zé Ibarra; o tributo de Alice Caymmi a Nana Caymmi; a potência de Ilessi em Atlântico negro; e o encontro sensível de Ayrton Montarroyos com o violonista João Camarero.
Sem esquecer o encontro de Assucena com João Camarero, a celebração de Fátima Guedes em Sete chuvas, a força de Mariene de Castro em Dona da casa, a retrospectiva de Roberta Sá em Tudo que cantei sou, o refinamento de Zizi Possi em Choro das águas e os 50 anos de carreira comemorados por Kleiton & Kledir.
Em síntese, o pulso da MPB segue firme nos palcos do Brasil, oferecendo, em 2025, uma resposta coletiva e vibrante ao tempo rei.














